Temos de Falar

Temos de Falar

A expressão tende a ser tensa, ou até a remeter para “aquele momento”, acompanhado de um murro no estômago…pois este espaço foi criado com objectivos na direcção oposta.

Como Terapeuta, como Mãe, como Mulher, como Filha, há muito tempo que fantasio com a ideia de que “ter de falar” possa ser sinónimo de “vamos resolver as coisas” ou de “quero encontrar-me contigo”, e isso só pode ser, tendencialmente, bom!

Pode mesmo sentir-se um alívio, uma certeza de que alguém está tão investido em nós que quer ter uma conversa. Daquelas boas e desconfortáveis. Daquelas de direcção incerta e duvidosa…

Mas, se temos de falar, é porque queremos correr esse risco.

Aqui, partilho emoções e penso sobre elas; procuro olhares diferentes sobre os problemas e as alegrias que todos podemos experimentar com aqueles a quem chamamos a nossa família.

Arriscando-me a falar, gostava que todos nós que passamos pela vida possamos encontrar novas perspectivas, ideias, coragens…ou quiçá que passemos um tempinho a ler ou a ouvir falar sobre algo que nunca nos passou pela cabeça (porque a isso também se chama “ter mundo”, não?).

Orientações e inspirações terapêuticas

  • Terapias Narrativas

Trabalhar com uma família tendo como pano de fundo as terapias narrativas, implica ajudá-la a despir as roupas antigas, que não lhe servem e, portanto, se tornam desconfortáveis, dando-lhe ferramentas para criar as suas histórias, as suas expectativas do outro.

Neste processo, torna-se objectivo criar um espaço para que tenham liberdade para (re)ajustar papéis, funções, padrões comunicacionais e serem criativos na construção do EU colectivo e individual.

Como seria positivo se uma família que se vê “encalhada” num problema, ou numa série de sintomas problemáticos, pudesse ter um espaço terapêutico do qual saísse com alternativas narrativas diferentes, que colocam o problema distante da sua identidade familiar e que deixam liberdade para rever conceitos e valores, criando uma história na qual podemos sair vencedores.

Porque o problema não está em nós. Acredito verdadeiramente que o problema está no problema. Nós, família, somos quem tem a chave para o resolver porque o conhecemos tão bem, porque o podemos ver de perspectivas tão diferentes e, assim, podemos redefinir a sua importância.

  • Terapias Focadas nas Emoções

“A força da Terapia Focada nas Emoções é que ela simboliza a nova ciência dos relacionamentos.” (Susan M. Johnson).

Na Terapia Focada nas Emoções com famílias, trabalho primeiramente para ajudar os familiares a perceber as fragilidades de vinculação de cada um dos seus elementos, e então construir em conjunto uma resposta adequada, que implique a aceitação da expressão do amor por parte do outro.

Com base na teoria da vinculação, cada elemento, seja do casal, seja da família, é levado a construir com o outro um espaço securizante e que ajude o outro a crescer em vínculo e em autonomia.

Assim, priorizo a criação de uma aliança terapêutica com família/casal, que seja espelho de um canal de comunicação seguro e consistente. Só com a criação de uma aliança empática podemos validar, experimentar e trabalhar as emoções e os ciclos comportamentais que lhes dão resposta, alcançando a mudança.