Ser família sem filhos é talvez o maior desafio que se pode atravessar na vida de um casal.
É amar o outro sem sonhar mais ninguém. É amar-se a si próprio TANTO que nos sabemos suficientes para o outro, e amá-lo TANTO que ele nos baste.
É ser família largando o controlo sobre o futuro ou sobre sonhos antigos. Abandonar os planos e procurar construir em casal o sentido da existência.
É respeitar a evolução do outro comigo, sem atribuir responsabilidades a demais membros do sistema que “choram à noite e não nos deixam dormir”, que “deixam a mãe tão hormonal e/ou alguém tão dedicado ao trabalho”.
Pode até ser abraçar a sexualidade pelo prazer e ligação ao outro, largando o propósito de gerar filhos (embora gere, sempre, vida).
É acreditar e fazer com que o amor de família se renove sempre nas mesmas pessoas.
Ser família e não pensar em ter filhos é proteger e alimentar a identidade da minha família a dois, e repensar à medida que crescemos os dois, se valemos a pena.
No entanto, tudo isto parece indicado a quem tem filhos também…não?
Não será sempre assim em qualquer forma de família? Não será uma família com filhos o desdobrar em mais pessoas o pouco controlo que temos sobre a vida? Não são esses filhos também prova de que a vida é livre e corre por si, fora das nossas mãos?
E não será o casal que cresce e se fortalece, aquele que descobre que o seu tesouro está no outro e em nós os dois?