As histórias que há em mim

As histórias que há em mim

Sou feita de histórias e da importância que lhes dou.

Penso no esclarecimento acerca de tantas questões da nossa vida se conseguíssemos compreender que a forma como contamos uma história, ou um episódio, e lhe atribuímos um significado, marca e prende a forma como ele ganha força para nós, e que isso orienta o que esperamos de nós mesmos e o queremos no outro.

Com as famílias em consultório ou no domicílio, gosto de ter como pano de fundo uma forma de olhar a que se chama terapias narrativas. Assim, trabalhamos para ajudar a família a despir as roupas antigas, que não lhe servem e que se tornam desconfortáveis, dando-lhe ferramentas para criar as suas histórias, as suas expectativas do outro.

Neste processo, torna-se parte do caminho criar um espaço seguro para que tenham a liberdade para (re)ajustar papéis, funções, padrões comunicacionais e serem criativos na construção do EU colectivo e individual.

Como é bom quando uma família que se vê “encalhada” num problema ou numa série de sintomas problemáticos, encontra um espaço terapêutico no qual cria alternativas narrativas diferentes, que colocam o problema distante da sua identidade familiar e que deixam liberdade para rever conceitos e valores, criando uma história na qual todos podemos sair vencedores.

Porque o problema não está em nós. Acredito verdadeiramente que o problema está no problema. Nós, família, somos quem tem a chave para o resolver porque o conhecemos tão bem, porque o podemos ver de perspectivas tão diferentes e, assim, podemos redefinir a sua importância.

Que liberdade que estes pressupostos dão à família, que competência suprema, e que descanso será compreender que o problema é só o problema, e que pode, finalmente, ser deixado para trás, enclausurado numa gaveta de significado e importância à medida das nossas necessidades.

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