Porque é que amo assim?

Talvez já todos tenhamos passado por situações em que saiem da nossa boca palavras que não queremos, reagimos à defesa ou ao ataque com medo, e gerimos de forma reactiva as emoções como a raiva ou a solidão.

De onde vem isto? Não gosto de ser assim, porque é que faço isto à pessoa de quem mais gosto?

Ou então: porque é que me encontro sempre numa situação semelhante com a outra pessoa, por muito que mude de pessoa???

A forma como aprendemos a amar está intimamente relacionada à forma como vimos os nossos pais amarem-se.
Ainda que tenhamos construído na nossa cabeça (ou mais no coração) um amor sonhado, um desejo clarificado de cuidar de alguém de uma certa forma, ou que cuidem de nós dessa forma, acabamos por amar da forma como vimos, sentimos e imaginámos ao nossos pais a cuidarem.
Sim, por vezes tem a ver com uma fantasia que temos da forma como se relacionavam, alguma idealização ou mitos criados à volta da relação dos nossos pais que, quer por oposição, quer por repetição de padrões, conjugamos em nós e molda a forma como sentimos e nos damos ao outro.
Ou até numa conjugação do que queremos reproduzir e dos padrões que queremos evitar porque, de alguma forma, também sentimos na pele o resultado do amor e desamor dos nossos pais.
E agora?
E agora isto cria em nós possibilidades infinitas de amarmos mais e melhor. Ou, pelo menos, pensarmos e planearmos o amor de forma a, conscientemente, querermos se melhores.
E é so isto que devemos pedir a nós proprimos: pegarmos no que recebermos e organizar estas histórias de forma a sermos o melhor que conseguimos com elas. Talvez sabendo identificar o que o amor conjugal dos nossos pais deixou em nós, possamos caminhar com uma direcção mais clara de encontro ao que nos serve.
Ah, não se esqueçam que o outro também teve pais (nem que sejam imaginados) e que chega para nos amar cheio DESSE amor dentro dele!

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