Casal e chegada de um filho

O casal e a chegada de um filho

O Casal e a chegada de um filho

A chegada de um filho é uma alegria tão grande que tendemos a esquecer que não somos super-homens nem super-mulheres. Continuamos a gostar demais de confundir alegria e felicidade com facilidade e instinto natural.

Hoje em dia assumimos que o casal beneficia de uma preparação para o que aí vem: como dar banho ao bebé; o que ter na mala da maternidade; que mudanças físicas e biológicas podemos esperar no corpo da mulher durante a gravidez; como preparar o quarto do bebé… e fala-se já muito de dificuldades no pós-parto, bem como no apoio a esta fase complicada para os recém-nascidos e recém-pais. E ainda bem que oferecemos sem vergonhas uma atenção especializada nestes campos.

Mas o casal e os fundamentos que suportam esta relação também têm de ser cuidados para sobreviver a este período. Não é por acaso que há tantas separações dos pais no primeiro ano de vida dos filhos. É uma fase em que os sonhos e as expectativas mais estruturais se revelam em ritmos diferentes e com emoções difíceis de acertar entre os dois, que muitas vezes sentem que devem deixar o papel antigo para se tornarem pais a 100%.

A fantasia de que um sonho é uma dádiva fácil e sem esforço é fraudulenta e perigosa. Exige esforço, tempo, foco e ajuda.

Um filho não consegue solidificar uma relação que não seja investida. Não vem salvar uma relação que não é prioritária para os próprios elementos dela.

São postas à prova a intimidade, a comunicação, o foco, as tarefas, a energia e as capacidades de cada um e do casal, e é normal que isto chegue com uma grande carga de medo e de ansiedade, que muitas vezes nos fazem retrair na comunicação. Porque estamos à espera, de nós e do outro, e porque achamos que o outro espera de nós que tenhamos de forma inata a capacidade de lidar com tudo sem queixas?

E, se houver tempo, talvez possamos ser casal em alguns 10 minutos do dia, da semana ou do mês. Mas cheios de medos de não sermos os mesmos, de não serem aceites as mudanças que carregamos no corpo e na mente.

Devíamos olhar para a terapia de casal como uma caixa de ferramentas onde podemos sempre ir buscar aquela chave quando os desafios são grandes. Ou podemos esquecer que somos casal e adiar esse “arranjo” por uns anos…

Devíamos propor a todos os casais que recebem um filho, um acompanhamento a estas mudanças tão grandes, não como um luxo mas como um direito e um dever, como uma parte da preparação e acompanhamento do parto a que atendem quase todas as mães e (alguns) pais.

Devíamos preparar o casal para se proteger de um desligamento da intimidade, de uma invasão das famílias de origem, de uma espiral de cansaço que exclui uma comunicação do eu de forma clara e pura.

Devíamos dar a estes casais tempo de descanso, físico e emocional, com o apoio de alguém que não julga estas difíceis danças a dois.

Isto, claro, se quiséssemos os casais conscientes e felizes. Felizes, com dificuldades e ajuda, mas com a superação e construção de uma relação mais preparada e forte.

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