ciclos medo

Os ciclos do medo

Estamos forçados a estar sozinhos. Sozinhos connosco, sozinhos com o outro, sozinhos sem os amigos ou os pais que nos enchiam a vida.

E temos medo. Medo da doença, da morte, medo do desconhecido, medo de nós próprios, medo de perder.

Medo e solidão juntos são uma mistura explosiva! E o que é que explode primeiro? As bombas nas nossas relações…

Aquele que está sozinho connosco (ou aqueles) é quem se torna o alvo das inseguranças, medos e loucuras que nos atropelam nesta fase difícil. É preciso parar para fazer diferente…parar pode salvar-nos!

Parar, falar, questionar, observar, conhecer, prever e, em tudo isto, PARTIR PEDRA.

Estão a ser despoletados em nós todos os gatilhos que existem nos nossos corações, cabeça e até no corpo. SE e QUANDO nos permitirmos observar e questionar os ciclos de comportamentos a que sucumbimos, conseguiremos criar aqui alguma vida, para podermos construir, e não estar “só” em piloto automático, reactivo e destrutivo.

Dependendo da forma como aprendemos o amor, esta fase de medos provoca em nós necessidades diferentes e buscas muito próprias de provas de amor (em forma de segurança, validação, aceitação, liberdade, confiança, ou o que mais precisarmos).

Para um pode crescer uma necessidade de aceitação por parte do outro, que reconforte a nossa insegurança interna, como se precisássemos que nos digam em tudo “`Quero-te mesmo assim”, “estás a fazer tudo bem”, “admiro-te nisto também”, “esta parte de ti não me assusta”.

Buscamos ser informados de forma constante que nos amam, ainda que seja todo um novo campeonato de facetas que agora aparecem (e exactamente por isso).

Daqui, procuramos em cada interacção esta aceitação e, o mais provável, é acabarmos por pegar em cada gesto, atitude ou frase que não cumpra explicitamente esse requisito, como uma bandeira de prova em como não estamos a ter o que procuramos.

E então? Então defendemo-nos. E por defesa entenda-se, maioritariamente, um ataque a cada passo (para nós em falso) do outro.

E, daquele lado, uma alma que pretende preservar a todo o custo a paz, evitando conflitos destruidores, pode bem reagir de forma legítima a esta “perseguição” da forma que menos nos assegura amor: retirando-se, promovendo o silêncio e “não mexendo mais”.

É que, com este constante ataque (que era defesa, mas que se manifesta tantas vezes de forma interrogativa e até instigadora), alimenta-se no outro a inevitável certeza: “Estou a fazer tudo mal.” Para quem também vive nesta esfera incerta e solitária dos tempos de hoje, ser inundado de ataques constantes de incompetência é, simplesmente, pisar bem a sua ferida.

Naturalmente, segue-se a retirada de quem sente que não está a conseguir acertar no que os outros precisam, que sempre lhe falha alguma coisa, que tudo em que toca se estraga, e, claro, que o melhor será afastar-se.

Reconhecem? Então conseguem também imaginar que é a reacção mais dolorosa para aquele primeiro que só procurava ser aceite e assegurado.

O exercício neste confinamento deve ser constante, da mesma forma que se levou o ginásio para casa, com aulas online e estúdios improvisados:

  • Qual destes é o meu padrão de necessidades, procuras, reacções e gestos?
  • O que é que não estou a conseguir pedir de forma clara?
  • Onde sinto que tenho de me defender e de que forma passo ao ataque?
  • O que é que, em mim, está a fazer-me sentir medo, insegurança, raiva, tristeza,…?
  • Como posso pedir o que preciso?

E, quando conseguimos ir mais longe e se impõe sair de nós:

  • Do que precisas?
  • O que é que te faço sentir?
  • Como é que te posso ajudar?
  • Com estas reacções do teu lado, sinto-me…
  • Preciso que me faças sentir aceite/competente/amado/compreendido/apoiado …

Agora é pensar: onde e quando queremos praticar esta ginástica?

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