casal zangado

Ai espera, ainda estou zangada!

Quem nunca se esqueceu da razão pela qual se zangou, sem ter ainda esquecido a vontade de continuar zangado?

Às vezes rendemo-nos a uma ambiguidade abismal que me deixa a pensar: afinal, o que é que realmente me importa?

É a punição do outro, que consideramos razoável que ainda esteja no castigo, como compensação por algum erro que tenha cometido? Ou é o encontro entre os dois, para curarmos as nossas feridas e construirmos uma base comum segura?

São aqueles momentos em que, depois de uma discussão a dois, ele passa por mim no corredor e sinto o cheiro dele… “se estivéssemos bem, queria tanto abraçá-lo e sentir aquele quentinho do seu pescoço… mas espera! Ainda estou zangada e ele ainda não merece!”

Acabamos por negar o que EU mereço, aquele quentinho que nos faria tão bem, por causa de uma parte de nós que ainda não confia, ou não se permite confiar. É que ensinaram-nos que a punição ou a retirada de afecto têm resultados absolvedores!

Mas o que o meu corpo e o meu coração precisam agora é de conexão. De voltar a ligar-me ao outro. Daquele quentinho e aquele abraço que, independentemente do que acontece, seriam o único reconforto suficiente.

A ilusão da necessidade de punição a quem nos magoa impede-nos, a nós, de termos o que mais precisamos e, ao outro, impede-o de dar o que naquele momento podia dar.

Podemos e devemos ser os primeiros a identificar estes momentos e a ceder. Bem, nem diria ceder, diria antes, a ganhar e a ajudar o outro a ganhar!

O primeiro a abraçar é apenas o que inicia o gesto. De resto, o abraço dá tanto a um como ao outro.

Vamos abraçar?

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