O medo do confronto

“Tenho muita pena, mas…”, “quero que saibas que…”, “sobre o que aconteceu, sinto-me…”. Todos sabemos que são frases que custam dizer, muitas vezes formuladas na nossa cabeça para que se tornem mais leves.

Mas de onde vem este peso que damos a uma conversa sincera, ao assunto sensível, às nossas emoções em palavras?


Estamos mais uma vez nisto…temos de falar! De que outra forma esperamos que o outro nos conheça, valorize e respeite os nossos pensamentos e as emoções que desencadeiam os acontecimentos em nós?


Dizermos ao outro o que nos fez sentir (nos bons e nos maus momentos), ou ter uma conversa acesa, até uma discussão, não tem de significar conflito. Muito menos devemos andar sempre com medo que o confronto e a nossa verdade sejam fraturantes!


Temos tantas vezes medo de dizer as nossas verdades (que valem o que valem, mas se aquela pessoa está connosco e não com a vizinha, é a nossa verdade que tem de viver com ela, não?), que olhamos cada possibilidade de discussão como uma possibilidade de ruptura.


De que forma idílica esperamos crescer em juntos, conhecer o outro e a nós próprios, se vemos como fatal o assumir de limites,de pensamentos ou sentimentos?


O hábito da fuga ao confronto (aqui visto como sinónimo de conflito) e a ideia generalizada de que ele representa um perigo para a paz da nossa relação, apenas nos faz retrair emoções, esconder partes de nós.

Afinal, é preciso mais força para sermos verdadeiros e inteiros do que para andarmos sempre com “pezinhos de lã”, na esperança de preservar uma paz podre? Depois acontecem devaneios e separações “vindas do nada”. Não é do nada, é de anos de confrontos evitados…


No fim, fraturante é não sabermos de nós no meio do casal que construímos com tanto cuidado e amor…fraturante é não sabermos o que o outro sente destas partes de mim, ou sequer se sabe que existem!

Porque é que amo assim?

Talvez já todos tenhamos passado por situações em que saiem da nossa boca palavras que não queremos, reagimos à defesa ou ao ataque com medo, e gerimos de forma reactiva as emoções como a raiva ou a solidão.

De onde vem isto? Não gosto de ser assim, porque é que faço isto à pessoa de quem mais gosto?

Ou então: porque é que me encontro sempre numa situação semelhante com a outra pessoa, por muito que mude de pessoa???

A forma como aprendemos a amar está intimamente relacionada à forma como vimos os nossos pais amarem-se.
Ainda que tenhamos construído na nossa cabeça (ou mais no coração) um amor sonhado, um desejo clarificado de cuidar de alguém de uma certa forma, ou que cuidem de nós dessa forma, acabamos por amar da forma como vimos, sentimos e imaginámos ao nossos pais a cuidarem.
Sim, por vezes tem a ver com uma fantasia que temos da forma como se relacionavam, alguma idealização ou mitos criados à volta da relação dos nossos pais que, quer por oposição, quer por repetição de padrões, conjugamos em nós e molda a forma como sentimos e nos damos ao outro.
Ou até numa conjugação do que queremos reproduzir e dos padrões que queremos evitar porque, de alguma forma, também sentimos na pele o resultado do amor e desamor dos nossos pais.
E agora?
E agora isto cria em nós possibilidades infinitas de amarmos mais e melhor. Ou, pelo menos, pensarmos e planearmos o amor de forma a, conscientemente, querermos se melhores.
E é so isto que devemos pedir a nós proprimos: pegarmos no que recebermos e organizar estas histórias de forma a sermos o melhor que conseguimos com elas. Talvez sabendo identificar o que o amor conjugal dos nossos pais deixou em nós, possamos caminhar com uma direcção mais clara de encontro ao que nos serve.
Ah, não se esqueçam que o outro também teve pais (nem que sejam imaginados) e que chega para nos amar cheio DESSE amor dentro dele!

“The Mask you live in”

O Projecto e o Documentário “The Mask You Live in”

NETFLIX

Usando o cinema e a comunicação social como catalisadores da transformação cultural, o The Representation Project pensa em como a mudar as normas acerca de novas estratégias de intervenção na educação e ação social. 

The Mask You Live In é um filme/documentário lançado neste contexto que segue crianças e jovens enquanto lutam para permanecer fiéis a si mesmos enquanto negociam a definição estreita de masculinidade dos Estados Unidos. Pressionados pelas pessoas, pelas próprias famílias, e até pela comunicação social, estes jovens revelam as dores de enfrentar mensagens que os encorajam a desligar-se das suas emoções, desvalorizar amizades autênticas, objetivar e degradar mulheres e resolver conflitos através da violência.

As narrativas que vestem, perpetuadas em estereótipos, interligam-se com a raça, classe social e circunstâncias, criando um labirinto de questões de identidade que as crianças e jovens devem navegar para se tornarem homens “reais”. É uma construção da realidade que guia as relações consoante uma construção global social que dita os valores e significados de características humanas.

Especialistas em neurociência, psicologia, sociologia, desporto, educação e comunicação social, bem como pais e educadores, contribuem também para a percepção destas narrativas e das relações que se desenvolvem com nelas baseadas.

O documentário The mask you live in” dá-nos luzes acerca do poder das narrativas que adoptamos, tanto a nível social como a nível individual, sempre com o enfoque no impacto da correspondência a essas narrativas nas relações pessoais e nas expectativas que se tornam intrínsecas e que vão ditar os contornos das relações familiares que construímos.

Daqui, podemos reflectir a condução de processos terapêuticos sistémicos com foco na mudança de narrativas, na criação e aprendizagem de ferramentas que permitam às famílias encontrar-se em novos discursos e olhar-se em histórias mais satisfatórias e que promovam um relacionamento mais satisfatório entre os elementos do sistema.

“Ele usa uma máscara, e a sua cara molda-se a ela…”

Essa máscara pode ser entendida como uma forma de visão de si próprio, que nos foi proposta através dos sistemas em que vivemos, com contornos e cores previamente estabelecidos, e na qual nos integramos, moldando-nos àquela percepção dos eventos, àquele significado da vida e das vidas que nos rodeiam.

Esta pressão para nos moldarmos às narrativas que recebemos, através da comunicação social, da educação e, de forma tão forte, da família (como sendo uma forma segura de sobreviver), é descrita como o recurso de o ser humano se orientar relativamente a uma história que conhece, a uma narrativa que o segura e ajuda a criar “balizas” que orientem a formação da nossa identidade. Como seres relacionais, buscamos de forma constante criar a nossa personalidade em relação com o outro, aprendendo desde cedo a identificar o que nos é familiar e desejável, em oposição ao que queremos rejeitar e, de alguma forma, aprendemos que nos é indesejável.

O indivíduo que aparece no documentário dando início aos relatos testemunhais, refere a primeira memória que tem do momento em que aprendeu o que era ser homem. Através deste testemunho podemos compreender a força do que aprendemos como “desejável” para nós, a importância de encaixarmos nas expectativas geradas pela narrativa do que é ser homem ou ser mulher. No entanto, o que verificamos com esta história é também a dificuldade sentida por quem não consegue corresponder a uma narrativa que o rodeia desde tenra idade, provocando contradições internas, frustrações e até o exacerbar de características auto-fabricadas que o permitem sustentar os mitos do seu sistema familiar.

Torna-se importante pensar sobre o resultado relacional da expectativa de um menino se criar um ser “não emocional”, que atribui à masculinidade o significado de controlo e dominância. Perpetuando o significado atribuído a esta narrativa, podemos criar a hipótese de uma relação de dominância com o sexo oposto, em busca de uma conjugalidade assimétrica no poder e de uma comunicação fraca no recurso ao diálogo e ao reconhecimento e valorização das emoções próprias e do outro.

Se um rapaz cria a sua noção de masculinidade envolvido numa narrativa de rejeição das emoções, poderá esperar relacionar-se numa relação conjugal de forma a desvalorizar essas mesmas emoções? E se a esse homem for dado espaço para se ligar com as suas emoções, introduzindo o sentimento de segurança no significado destas mesmas emoções e na imagem de si mesmo, poderá sentir-se capaz de respeitar os sentimentos do outros e os seus de forma mais satisfatória?

“A masculinidade (…) é a rejeição de tudo o que é feminino. Desde o início que somos ensinados, como rapazes, a controlar as emoções. Não podemos falar sobre os nossos medos… Não podemos falar sobre o que nos magoa. Podemos falar sobre o que nos chateia. Podemos falar sobre ficarmos zangados. Não podemos falar sobre estarmos tristes. Se não choramos, todos os sentimentos ficam fechados em nós e não os conseguimos expulsar. Nós é que os colocamos naquela trajetória através da nossa cultura e de como somos pais, como os educamos e através das ideias que lhes passamos,” Dra. Lise Eliot (Neurocientista)

Esta reflexão volta a colocar o problema da identidade e da criação de relações intimas com base na valorização de características masculinas e femininas que colocam homem e mulher em hierarquias desiguais, desvalorizando as emoções, sentimentos e o diálogo como parte exclusiva do universo feminino. É uma narrativa das relações que atribui grande significado à capacidade do homem em negar as suas “características femininas”, tornando-se homem por oposição às qualidades “fracas” da mulher. Segundo os especialistas do documentário, a maneira como os rapazes são educados obriga-os a esconder todos os sentimentos naturais de vulnerabilidade e empatia atrás de uma máscara de masculinidade.

O papel do terapeuta deve passar por ajudar os clientes a despirem a roupa que os limita ou que os deixa inseguros, co-construindo narrativas que servem àquele sistema, que promovem relações interpessoais (de poder, de hierarquia, conjugais…) satisfatórias e nas quais as pessoas se vêm e se encontram numa esfera de segurança. (Rivero, 2013).

O que estamos a ensinar estes rapazes sobre as raparigas?

Como forma de reflexão acerca das expectativas que estes rapazes terão no desenvolvimento de uma relação a dois, podemos pensar no impacto que teria para os casais que se formaram com base nestas visões de si e do outro, em encontrar um espaço de criação de novos olhares sobre os sentimentos e as emoções e os problemas, que lhe permitam cultivar a empatia e o diálogo na criação de uma narrativa comum.

Também o documentário nos leva a pensar acerca da sexualidade que chega aos jovens, tanto pela ausência de diálogo na família, como pela oposição deste “silêncio familiar” à exposição do tema na tão disponível e acessível pornografia digital. Por causa da educação sexual, focada na abstinência e da vergonha à volta da sexualidade da nossa cultura, a pornografia é, para muitas pessoas, educação sexual.

Em minha casa, não choramos. Se mostramos emoções, somos fracos. Se nos magoam, aguenta. Nada de queixinhas. Tudo girava à volta do dinheiro. Não importava se eras mulherengo.

Esta associação da masculinidade com aspectos como a com a capacidade atlética, o sucesso económico ou com as conquistas sexuais é, segundo os especialistas, um olhar que engana as crianças e os leva a procurarem no outro alguém que se reveja como mais fraco, cujos sentimentos não são valorizados e que dissocia a actividade sexual da intimidade e das relações emocionais.

Quando esta é a expectativa que trazemos para uma relação íntima, ocorrem riscos de divergência e desequilíbrio satisfatório aos elementos da própria relação. Quando casais chegam a um processo de terapia com as narrativas do que é ser casal baseadas nestes pressupostos que lhes são intrínsecos, e que podem em nada se ajustar às suas verdadeiras necessidades emocionais, é chave a co-construção de uma narrativa comum no que diz respeito à intimidade, ao poder e aos papéis de cada membro do casal.

“Tem sido muito difícil desempenhar os papéis de mãe e de pai do Jacksen. Ensinaram-me que os homens são duros, são fortes. Passei muitas noites a chorar, porque ele tinha sentimentos e eu tinha de lidar com isso. E um dia percebi, porque o Jacksen disse-me: “Pai, sou sensível.” E eu pensei: “Está bem. Está bem.” Então, comecei a ler muito, a pesquisar no Google sobre como ser sensível e assim.

Este poderoso testemunho de um pai que se vê “obrigado” a voltar a olhar para a sua história e criar uma história nova para a geração seguinte, dá-nos pistas extremamente claras acerca da importância da construção de novos significados para as histórias que trazemos. Aqui, vemos o poder e a necessidade de criar. Criar através da procura de uma forma diferente de lidar com as questões que se repetem, criar respostas novas a problemas antigos; encontrar novas palavras para que sejam atribuídos significados diferentes a dificuldades pelas quais já passámos, dando uma oportunidade a que estas dificuldades não se tornem limitações e, em vez disso, acrescentem ao sistema relacional empatia, diálogo e segurança.

Quando construímos em família as nossas relações, as nossas próprias histórias podem ser novas e reajustadas ao que precisamos para nos sentirmos seguros. A necessidade sentida por este pai de pesquisar “formas como lidar com sentimentos”, de forma a estar disponível para o desenvolvimento de intimidade e corresponder às necessidades do outro, que bebe das nossas narrativas, é um espelho disso mesmo.

Se criamos a nossa história com base na correspondência ou não a estes aspectos fatuais, para os quais nos ensinam a olhar e sob os quais nos medimos, damos-lhes um significado poderoso e que determina o nosso sentimento de adequação (ou frustração) às expectativas. Ao mesmo tempo, levamos esta narrativa como guia para a construção da realidade.

Dando às pessoas a possibilidade de alterar esta história, de recolocar os eventos e factos numa posição hierárquica ou temporal diferente, estamos a dar-lhes a possibilidade de criar e mudar a sua realidade.

A aliança terapêutica

Uma boa conversa que serviu de teaser para o curso que vou administrar com estes queridos colegas, promovido pelo Instituto de Formação em Psicologia (IFEPSI Brasil).

Sobre diferentes perspectivas abordamos a importância de criar uma aliança entre clientes e terapeutas, quer no contexto de domicílio, quer em consultório, que permita a criação de um vínculo onde se pode dar a mudança terapêutica.

Espero que gostem.

“Não é não”

Não é não!

Já há uns dias ando com este assunto atrás da orelha…a digerir (agora na barriga!) esta frase tão básica como complexa. Temos ouvido falar tanto, e bem, acerca do consentimento sexual, ligado ao abuso, ao assédio e à falta de respeito de quando não se pára quando percebemos um “não“.

E ainda há pouco tempo dei por mim com uma família a trabalhar a importância dos limites para as crianças, a transmitir a ideia de que “não é não”. Firme e consistente,  assim deve ser com os filhos para que criem e respeitem limites em si e nos outros..

E então, como dizia: agora na cabeça, põe-se-me este paralelismo.. será isto? Será esta dificuldade em respeitar o não desde pequenos que forma adultos que não param com uma resposta negativa do outro?

Não querendo ser fatalista, mas talvez seja importante, então,  que um “não” como pai ou mãe seja tão firme como queremos que seja o “não” de uma filha de 15/20/30 anos prestes a ser abusada.

E também talvez devêssemos receber com cuidado as contrapartidas que os doces pequeninos nos trazem, como “mas e se eu comer tudo, pode ser?” ou “e se eu chegar cedo, a tua resposta já pode ser sim,pai?”.

Assim como não pode passar pela cabeça do nosso filho de 15/20/30 anos “dar a volta” com negociações a alguém que não quer ao mesmo tempo que ele ter sexo, ou que não o quer fazer com ele.

Sou muito a favor da negociação, é um sinal de respeito pelo outro e de crescimento em autonomia, mas os nossos “nãos” devem ser absolutos e, portanto, seleccionados com cuidado. Para poderem crescer a saber que um “talvez” ou um “não sei”, esses sim, podemos tentar reverter.

Não é que não se possa negociar tanta coisa.  Mas não é não, meus pequeninos.

As histórias que há em mim

Sou feita de histórias e da importância que lhes dou.

Penso no esclarecimento acerca de tantas questões da nossa vida se conseguíssemos compreender que a forma como contamos uma história, ou um episódio, e lhe atribuímos um significado, marca e prende a forma como ele ganha força para nós, e que isso orienta o que esperamos de nós mesmos e o queremos no outro.

Com as famílias em consultório ou no domicílio, gosto de ter como pano de fundo uma forma de olhar a que se chama terapias narrativas. Assim, trabalhamos para ajudar a família a despir as roupas antigas, que não lhe servem e que se tornam desconfortáveis, dando-lhe ferramentas para criar as suas histórias, as suas expectativas do outro.

Neste processo, torna-se parte do caminho criar um espaço seguro para que tenham a liberdade para (re)ajustar papéis, funções, padrões comunicacionais e serem criativos na construção do EU colectivo e individual.

Como é bom quando uma família que se vê “encalhada” num problema ou numa série de sintomas problemáticos, encontra um espaço terapêutico no qual cria alternativas narrativas diferentes, que colocam o problema distante da sua identidade familiar e que deixam liberdade para rever conceitos e valores, criando uma história na qual todos podemos sair vencedores.

Porque o problema não está em nós. Acredito verdadeiramente que o problema está no problema. Nós, família, somos quem tem a chave para o resolver porque o conhecemos tão bem, porque o podemos ver de perspectivas tão diferentes e, assim, podemos redefinir a sua importância.

Que liberdade que estes pressupostos dão à família, que competência suprema, e que descanso será compreender que o problema é só o problema, e que pode, finalmente, ser deixado para trás, enclausurado numa gaveta de significado e importância à medida das nossas necessidades.

Férias: o que fiz contigo?

Fim de férias. De volta ao bafo da cidade. Máquinas de roupa a mil, estendal e malas a abarrotar (como é que há tanta roupa nos dois pontos opostos deste circuito???), a casa toda cheia daquela areia (outrora magnífica, agora só chata) que trouxemos daquela praia maravilhosa onde fomos tão felizes…

Fomos, não fomos?

Vamos lá ver…chegou a altura de estar bem com o regresso (porque de outra forma vai matar-nos devagarinho!), mas isso só conseguimos quando nos esclarecemos em relação ao tempo idílico que passámos.

Eis algumas pistas para lidarmos com a realidade de quase todos os meses do ano:

– Respirei fundo? Parei e olhei como estava o cenário naqueles dias que tanto planeámos? Há alguma coisa que podemos trazer e reproduzir em casa?

– Gastei dias de férias à beira de um ataque de nervos porque nem as roupas cabiam nas  malas, nem as malas cabiam no carro? Ou porque “já sabia que não nos devíamos ter demorado na praia para ver o pôr-do-sol, agora tenho de aturar birras ao jantar, não vejo nada à frente com mau feitio de fome…que m#rda! Nunca mais esqueço as horas.”? E desejamos que SÓ aquele dia acabe já, para não termos de nos aturar a nós nem a mais ninguém?

– Respondi aos e-mails do trabalho, que sorrateiramente fui espreitar? Ou talvez só tenha ficado a pensar neles…

– Agradeci a quem estava comigo ter escolhido passar 15 dias na minha companhia, talvez até com a minha família, ou com a família do outro, que me recebeu?

– Aproveitámos para quebrar rotinas? E esquecer os relógios? E deixar a descansar a maquilhagem de quem esconde o cansaço chapado na cara? Comemos todas as bolas de Berlim que queríamos? É que afinal, meses de alimentação saudável lá em casa para isto…

– Brincámos na praia com os miúdos, como em casa tantas vezes nos queixamos não ter tempo para fazer?

– Fomos jantar os dois, dar passeios de mão dada na praia, vimos as estrelas acompanhados, bebemos vinho demais, dançámos como nos apeteceu?

Agora é pensar: voltámos agradecidos e renovados ou para o ano vai ser diferente?

Façamos uma lista (vão ver com o tempo que acho as listas um recurso sempre eficaz) das coisas que não fazíamos nas férias e que agora podemos fazer. É pegar no telefone e combinar uma ida ao cinema, uma tarde com aqueles amigos, juntar os vizinhos, voltar ao café da nossa rua, lembrar os brinquedos que os pequenos não levaram para as férias…